terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Pablo Neruda

"Virás comigo", disse - sem que ninguém soubesse 
onde e como palpitava meu estado doloroso,
para mim não havia cravo nem barcarola,
nada mais que uma ferida aberta pelo amor.

Repeti: vem comigo, como se morresse,
e ninguém viu em minha boca a lua que sangrava,
ninguém viu aquele sangue que saia no silêncio.
Oh! amor, esqueçamos as estrelas com espinhos!

Mas quando ouvi que a tua voz repetia:
"Virás comigo" - foi como se desencadeassem
dor, amor, a fúria do vinho encarcerado
que saísse da sua cantina submersa
e de novo na minha boca senti um sabor de chama,
de sangue e  de cravos, de pedra e queimadura.

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